Preventório

preventorioQuando se conhece alguém a primeira coisa que se pergunta é seu nome. De onde será que vem o nome Preventório? Para se descobrir sua origem tem que se voltar a muito tempo, em meados do século XIX. A partir de 1851, a principal construção da região servia para abrigar doentes contagiados por febre amarela, cólera e varíola. Era o Hospital da enseada de Jurujuba, localizado na praia de Charitas. Dois anos depois, ele passou a se chamar Hospital Marítimo Santa Isabel e permaneceu até 1898 recebendo doentes que vinham do Rio de Janeiro – então capital do Império – e do estrangeiro, a bordo de navios. Neste mesmo ano, o hospital novamente mudou de nome e passou a se chamar Paula Cândido em homenagem ao professor que o fundou.

Em 1909, com a febre amarela em declínio graças ao combate travado pelo higienista Oswaldo Cruz, o hospital parou de receber doentes e, alguns anos depois, foi transformado no Preventório Paula Cândido, onde ficavam crianças que precisavam se prevenir da tuberculose. O prédio foi também uma escola de enfermagem e Educandário. Essa construção ainda existe, ao lado da principal subida do Morro , e é conhecida como Casa da Princesa, onde funciona a Fundação para a Infância e a Adolescência (Fia).* Mas se o prédio teve tantos nomes, porque a comunidade ficou conhecida logo pelo nome de Preventório? Jayme Terra, morador do Meu Cantinho, conhece bem essa história, pois seus parentes trabalharam no prédio.

“Eu montei um clube de futebol com amigos e pessoas que vinham de Charitas, pois naquela época só havia aqui aproximadamente dez casas e não tinha gente suficiente para formar um time. O campo ficava atrás do prédio, que não se chamava mais Preventório e sim Educandário Paula Cândido, pois foi transformado em um reformatório de meninas que se debruçavam nas janelas para ver o jogo. Então, quando fomos dar o nome ao time, achei que seria legal colocar algo que fizesse pensar nelas e nesse prédio que durante tanto tempo ajudou a salvar vidas. Batizamos o time como Preventório e ele acabou sendo referência para a região, ajudando a frisar o nome que a comunidade tem hoje”, conta.

A família de Jayme foi uma das pioneiras aqui, veio com muitas outras para trabalhar no hospital e assim a comunidade começou a se formar. “Meus pais contavam que os funcionários, com o passar dos anos, para facilitar a volta para casa, começaram a construir suas casas nos terrenos em volta do hospital. Os pescadores seguiram o exemplo e depois vieram os parentes dos funcionários e dos pescadores e famílias que foram expulsas de Charitas. Não parou mais de chegar gente e a comunidade continuou crescendo”, continua Jayme. Marinélia, também filha de pioneiros, lembra que a praia defronte ao Preventório se chamava Areia Grossa e Charitas ia só até a curva do Hotel Sundown.

Curiosamente, o antigo nome da praia ainda consta na lista telefônica. Marinélia conta também que onde hoje é o Hospital do ASPERJ era um cemitério para os mortos do Hospital Santa Isabel. O crescimento de famílias no Preventório acelera com o passar dos anos, com gente vinda de outras cidades do Rio de Janeiro e mesmo outros estados como Espírito Santo, Ceará, Bahia, Minas e Alagoas. Segundo o censo do IBGE de 2000, viviam aqui cerca de 2.500 famílias, caracterizando a maior comunidade de baixa renda de Niterói. “Já se passaram quatro anos, acho que hoje deve ter aqui umas treze mil pessoas”, arrisca Miriam Marinho, moradora da Travessa Dom Pedro. *Fonte: Capítulos da Memória Niteroiense , de Carlos Wehrs (Editora Niterói, 2002). Legenda da foto: A Casa da Princesa na época em que ainda era o Hospital Paula Cândido. Foto de Augusto Malta, 1925.

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